União entre produtores é apontada como caminho para fortalecer a cadeia do mel em Alagoas
Encontro Alagoano de Apicultores e Meliponicultores reuniu produtores e especialistas para discutir profissionalização, regularização e oportunidades de mercado para o setor
A união dos produtores e o fortalecimento da cadeia produtiva estão entre os principais caminhos para ampliar o potencial da cadeia do mel em Alagoas. Esse foi um dos pontos destacados durante o Primeiro Encontro Alagoano de Apicultores e Meliponicultores, realizado na última sexta-feira (30), durante a programação da 76ª Expoagro. O evento foi promovido pelo Sebrae Alagoas, com apoio do Sistema Faeal/Senar.
O encontro reuniu produtores, pesquisadores, extensionistas, acadêmicos, empresas e instituições parceiras para discutir oportunidades, desafios e perspectivas para o desenvolvimento da produção de mel no estado. Entre os temas abordados estiveram o manejo adequado, a capacitação técnica, a implantação e a regularização de unidades de beneficiamento e as possibilidades de comercialização.
Durante o encontro, o diretor superintendente do Sebrae Alagoas e presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Domício Silva, chamou a atenção para as oportunidades de mercado, tanto nacionais quanto internacionais.
“Existe um mercado não só nacional, mas também internacional, que tem buscado cada vez mais esses produtos. Precisamos ocupar esses espaços e essas gôndolas de mercado com produtos produzidos em Alagoas, pois existem muitas oportunidades de negócios. Por isso, estamos qualificando e regularizando os produtores para abrir mercado. Esse é o nosso papel enquanto Sebrae”, afirmou.
Estamos qualificando e regularizando os produtores para abrir mercado. Esse é o nosso papel enquanto Sebrae.
Domício Silva
Conhecimento técnico e profissionalização
Patric Arend Lüderitz, vice-presidente da Federação Apícola e Meliponicultura do Rio Grande do Sul (FARGS) e da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), abriu a programação de palestras abordando a cadeia produtiva do mel no século XXI, com foco em sustentabilidade, inovação e oportunidades para o desenvolvimento regional e global.
O palestrante destacou que Alagoas tem força no turismo e potencial para integrar a produção de mel às atividades rurais e gastronômicas, agregando valor à cadeia produtiva. Também apresentou possibilidades de inovação com o uso do mel como matéria-prima, a exemplo do mel cremoso combinado com produtos como chocolate e castanha.
“Acreditem no potencial do nosso setor. Fizemos visitas às propriedades de alguns produtores e preciso destacar o quanto o trabalho aqui em Alagoas é sensacional e tem condições de se tornar um produto de reconhecimento, tanto no estado quanto no Nordeste”, afirmou.
Patric Arend Lüderitz apresentou tendências de inovação e sustentabilidade para fortalecer a apicultura. Foto: Julio VasconcelosNa sequência, o engenheiro-agrônomo Peter Hans Müller, com especialização em Apicultura e ampla experiência em meliponicultura, apresentou orientações sobre o calendário anual de manejo das abelhas sem ferrão. Durante a palestra, reforçou a importância de os produtores se reconhecerem como profissionais da atividade e buscarem o desenvolvimento adequado do negócio. Também destacou a necessidade de conhecer as particularidades de cada espécie, seus ciclos e as condições regionais de criação para garantir um produto de qualidade.
O encontro foi encerrado com a palestra sobre regularização das unidades de beneficiamento, ministrada pelo médico-veterinário Antônio Auro da Silva. Ele abordou as adequações necessárias para atender às exigências de inspeção e reforçou que o cumprimento das normas é fundamental para garantir a segurança dos produtos, agregar valor à produção e ampliar as possibilidades de comercialização.
Peter Hans Müller abordou o manejo de abelhas sem ferrão e a importância do conhecimento técnico para a qualidade da produção. Foto: Julio VasconcelosA troca de experiências e o contato com diferentes práticas também foram destacados pelo produtor Jadielson Henrique, à frente da Mel Jadapis, que ressaltou a importância de participar de encontros como esse para ampliar conhecimentos e estabelecer parcerias.
“Conhecer algumas aplicações diferentes, como as utilizadas na região Sul, é muito bom. São experiências e ensinamentos que podemos levar para aplicar na nossa própria realidade. A gente aprende muito, troca conhecimento, faz amizades e vê futuros parceiros. Isso é muito importante. Sempre que sou convidado e tenho oportunidade, participo. É uma satisfação muito grande”, afirmou.
Força da cadeia produtiva
Criadora e apaixonada por abelhas, a diretora administrativa e financeira do Sebrae Alagoas, Juliana Almeida, também participou do encontro e destacou que a articulação entre os produtores e suas entidades representativas é fundamental para o avanço do setor. “Estou muito feliz por ver o Sebrae e as instituições parceiras proporcionando esse movimento. Sinto falta da união entre vocês, pois é isso que nos dá força enquanto cadeia produtiva. Ninguém faz nada sozinho. Estamos em outro momento do agronegócio. Precisamos somar forças, ocupar os espaços de liderança e pedir mais momentos como este. É importante que vocês se unam”, pontuou.
Juliana Almeida reforçou a importância da união entre produtores e instituições para fortalecer a cadeia produtiva do mel em Alagoas. Foto: Julio VasconcelosO analista do Sebrae Alagoas, Humberto Sant’Anna, explicou que o encontro surgiu justamente da necessidade de aproximar os produtores e fortalecer a atividade no estado. “Essa iniciativa nasce da necessidade de unirmos forças para que a apicultura alagoana possa ser uma apicultura de alto nível. O encontro foi pensado para aproximar o conhecimento técnico da realidade dos produtores, estimulando a profissionalização e o desenvolvimento da atividade”, explicou.
O supervisor de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faeal/Senar, José Ferreira, também reforçou a importância da união e da troca de experiências entre os produtores. “Cada região tem uma particularidade. Então, precisamos trocar experiências e nos unir. O foco da nossa assistência técnica não é apenas fazer com que o produtor aumente sua produção, mas também pensar em como vamos comercializar e até exportar esse produto”, afirmou.