Governo Federal não faz repasse de quase R$1 bilhão para municípios de Alagoas

Questão que aflige a gestão municipal todo ano, os Restos a Pagar (RAPs) são despesas empenhadas, mas não pagas até 31 de dezembro de cada ano. Ou seja, representam a parte da despesa do orçamento que permanece pendente de pagamento após o fim do exercício. Esses RAPs podem ser processados ou não processados. Os primeiros se referem às despesas empenhadas e liquidadas não pagas, enquanto os não processados são aquelas apenas empenhadas, que sequer chegaram a ser liquidadas (efetivamente realizadas).

Em levantamento recente, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) identificou um total de R$ 189,5 bilhões de Restos a Pagar inscritos no Orçamento Geral da União (OGU) em 2019, o que representa um aumento de R$ 34,1 bilhões (22%) em relação a 2018. Os dados estão disponíveis no Relatório de Avaliação dos Restos a Pagar divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Governo Federal não faz repasse de quase R$1 bilhão para Alagoas

Dados do Tesouro Nacional mostram que quase um bilhão de reais deixaram de chegar aos municípios alagoanos em 2018. Isso porque o governo federal não fez o repasse dos recursos, mesmo os tendo empenhando. No total são R$ 997.409.443,00 que eram esperados – estavam no orçamento da União, mas não foram pagos.Com a passagem de 2018 para 2019, o novo governo começou com restos a pagar na ordem de R$ 189,5 bilhões, um aumento de 22% em relação à passagem 2017/2018. Em valores absolutos, é um aumento de R$ 34,1 bilhões. Os restos a pagar representam 7,3% de todo o orçamento de 2019 do governo federal.

Em dificuldade financeira, a falta dos recursos nos municípios afetam toda ordem de serviço público. Gestores municipais aguardam o pagamento dos valores para terem alívio nas contas e retomarem obras e programas sociais.

O secretário geral da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Bruno Rodrigo Valença de Araújo, que também é prefeito de São José da Laje, pontuou que a situação dos restos a pagar é delicada e atrapalha o funcionamento de diversos serviços nas cidades.

O prefeito diz que os valores de restos a pagar tem crescido e a situação piorou após o processo que resultou na saída de Dilma Rousseff da Presidência. Isso tem acarretado diversos problemas, principalmente dos programas sociais. Ainda mais programas que foram executados e não foram pagos , revela Bruno de Araújo.

Ele ressalta que diversos programas, principalmente da Educação, são afetados. Os restos a pagar caem principalmente sobre a gente que somos municípios pobres, e Alagoas como estado pobre sofre mais ainda as consequências , avalia.

O gestor pondera ainda que a população cobra pelas obras e serviços parados. De acordo com ele, tudo isso afeta as pessoas mais pobres. É muito complicado porque a população precisa e cobra o serviço, e a prefeitura não consegue cobrir, tudo tem um custo.

A capital, Maceió, tem 532 empenhos em restos a pagar. Na segunda maior cidade do Estado, Arapiraca, são 327 empenhos.Também municípios polo no estado, cidades como Penedo contam com 167 empenhos em restos a pagar; Palmeira dos índios 132; Rio Largo 111; e São Miguel dos Campos 106.Em contrapartida, os municípios menores contam com menos empenhos, caso de Santa Luzia do Norte, vizinho a Maceió, que tem apenas 15 empenhos.

CNM fala que diante disso, os municípios podem enfrentar problemas porque os recursos provenientes dos restos a pagar seguem um cronograma de execução política que os deixam em sérias dificuldades. Segundo a entidade, a estratégia favorece a União, pois viabiliza a moeda política para negociações, com um volume muito maior de empenhos do que o valor equivalente em recursos reais para realizar efetivamente os pagamentos.

CNM pontua que o problema tem tomado uma proporção tão grande nos últimos anos que coloca em risco de descrédito generalizado a principal sistemática de investimento público do país.

Segundo base do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) da STN, o valor total de RAPs relacionados às transferências de recursos da União aos Municípios pendentes de realização ultrapassa os R$ 33,77 bilhões, no início de 2019. Desse total, os RAPs inscritos de outro exercício, somando os processados e não processados, é de R$ 23,184 bilhões.

Comparativos
A CNM destaca que, em 2018, houve uma grande evolução dos pagamentos, mas não o suficiente para diminuir o grande estoque do valor que o governo federal deve aos entes municipais. E mais de 90% se concentram em seis Ministérios, entre eles, o das Cidades, Educação, Saúde e o da Integração Nacional, que somam juntos mais de R$ 25,772 bilhões – ou seja, 76,3% do total.

Problemas
Pesquisa realizada pela CNM em anos anteriores indica que 77% dos RAPs que se encontram como não processados tiveram suas obras iniciadas ou seus produtos entregues, mas ainda não foram certificados pela instituição financeira.

A entidade alerta que, diante disso, os Municípios podem enfrentar problemas porque os recursos provenientes dos RAPS seguem um cronograma de execução política que os deixam em sérias dificuldades. A estratégia favorece a União, pois viabiliza a moeda política para negociações, com um volume muito maior de empenhos do que o valor equivalente em recursos reais para realizar efetivamente os pagamentos. O problema tem tomado uma proporção tão grande nos últimos anos que coloca em risco de descrédito generalizado a principal sistemática de investimento público do país.

Por: Amanda Maia
Da Agência CNM de Notícias

Com informações do Portal Gazetaweb