CNM atua por compensação clara de perdas em projeto que amplia isenção do Imposto de Renda

CNM atua por compensação clara de perdas em projeto que amplia isenção do Imposto de Renda

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) atua no Congresso Nacional para garantir a compensação, de forma clara e efetiva, das perdas decorrentes do Projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que propõe alterações nas regras de tributação do Imposto de Renda. Destaca-se que o texto aprovado na Câmara prevê compensação apenas parcial e condicionada, o que não garante a reposição das perdas reais dos Entes locais. Dessa forma, a entidade luta pela aprovação da Emenda 8, de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB/PB).

A Emenda visa assegurar uma compensação objetiva e proporcional às perdas efetivas dos Municípios, determinando que, anualmente, pelos próximos seis anos, seja apurada, Município a Município, a eventual redução de arrecadação, tomando-se como referência o ano de 2025, corrigido pelo IPCA, e cabendo à União o ressarcimento integral dessas diferenças. Essa medida é especialmente importante diante do quadro fiscal enfrentado pelos Municípios. Em 2024, 54% das prefeituras encerraram o exercício financeiro com déficit orçamentário, registrando o pior resultado da série histórica recente, com um saldo negativo de aproximadamente R$ 33 bilhões.

Dessa forma, ciente da importância do projeto e de seu impacto para a população brasileira, o movimento municipalista luta para que a medida de justiça tributária garanta que parte do excesso de arrecadação da União seja convertido para compensação financeira aos Municípios que venham a registrar perda de arrecadação. Importante esclarecer que o PL apenas limita-se a apresentar uma previsão vaga sobre como essa compensação ocorrerá. Além disso, a proposta de compensação trimestral pela União gera incertezas, pois a liberação dos recursos depende de uma condição: a existência de eventuais recursos excedentes em relação à estimativa do impacto orçamentário e financeiro.

Os Municípios, por serem responsáveis pela arrecadação do Imposto de Renda sobre os salários de seus servidores, sofrerão perdas de R$ 5,1 bilhões na referida receita, segundo estimativas da CNM. A despeito do impacto expressivo e de as projeções oficiais apontarem que a União arrecadará recursos suficientes para contrabalancear as suas perdas, o projeto não ofereceu garantias claras de que haverá uma compensação suficiente para cobrir essa parte específica da perda de receita. Além disso, mesmo com a compensação da União para as perdas do FPM, cerca de 1.800 Municípios ainda precisariam de compensação financeira adicional para equilibrar a perda de arrecadação gerada pela medida.

Assim, a Confederação vai intensificar a atuação junto aos senadores a fim de aprovar a Emenda 8 a fim de garantir que os Municípios não sejam impactados pela medida, com consequente agravamento no quadro fiscal e na prestação de serviços essenciais à população.