Ministério da Saúde e Opas : aquisição de vacinas deve ocorrer de forma centralizada pela União

Em reunião com CNM, Ministério da Saúde e Opas endossam que aquisição de vacinas deve ocorrer de forma centralizada pela União

Aroldi 2O Grupo de Trabalho (GT) do movimento municipalista formado para acompanhar todas as ações de aquisição de vacinas esteve reunido na tarde desta terça-feira, 9 de março, com representantes do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Liderado pelo presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Glademir Aroldi, os representantes municipais solicitaram no encontro virtual informações atualizadas sobre o cronograma da distribuição dos imunizantes no país.

Mais uma vez, Aroldi defendeu que a população seja vacinada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) e – dessa forma – garantir a igualdade no acesso à imunização. “Nós entendemos que a distribuição tem de ser pelo PNI, centralizada pelo governo federal por meio do Ministério da Saúde. Estamos buscando informações para trazer aos nossos Municípios e surgiram alguns questionamentos sobre criar consórcios para trazer vacinas. Temos mais de 300 consórcios no Brasil e isso pode gerar dúvidas. Mas praticamente todos os países do mundo estão adquirindo vacinas pelo governo central”, enfatizou o líder municipalista.

Em resposta, o representante do Ministério da Saúde, Laurício Monteiro, destacou o planejamento do Ministério da Saúde para a aquisição de vacinas e endossou o posicionamento municipalista, descartando a aquisição suplementar por Estados e Municípios. “Essa responsabilidade tem de ser central, porque o Ministério da Saúde já tem todo o nível técnico preparado, estruturado e qualificado historicamente, o que seria um quadro difícil de ser implementado em Estados e Municípios e seria muito oneroso para estes Entes. Todo o esforço tem de continuar sendo do Ministério da Saúde”, ressaltou ao informar que a Pasta pretende divulgar o cronograma da vacinação. “Vamos passar a versão do plano e a atualização que acontecer do informe técnico com as quantidades de vacinas liberadas pelos Estados”.Lauricio

Tendência mundial
A especialista em imunizações da Opas, Lely Guzmán, ressaltou que a tendência da centralização nas etapas da vacinação tem sido seguida por todos os países e – assim como a CNM – entende que essa forma é a mais eficaz para que a população tenha acesso ao imunizante de forma equânime. “Os países estão sendo liderados em níveis centrais. Os governos têm feito aquisição unificada de insumos e vacinas para dar equidade a todas as populações. Nesse mesmo contexto, está sendo embasada a compra de vacinas, priorizada para os governos centrais. Não podemos ampliar essas brechas”, considerou.Lely

Plano de comunicação
Todos os participantes reforçaram a necessidade de alinhar um plano de comunicação para informar a população sobre a importância da eficácia da vacina e também dos protocolos de segurança sanitária enquanto o imunizante não chega à totalidade dos habitantes. Aroldi entende que esse alinhamento é fundamental para combater a desinformação e pediu o alinhamento de estratégias entre os Entes federados.

“Temos que sentar União, Estados e Municípios para fazer esse plano de comunicação e mostrar para a população a necessidade de conseguirmos eliminar essa doença assim como já fizemos em outros planos de vacinação. E isso a gente só vai conseguir se estivermos unidos em busca do mesmo resultado”, defendeu ao citar que a CNM divulgou nesta semana uma campanha pró-vacina contra a Covid-19. 

O presidente da Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj) e integrante do GT da CNM, Luiz Antônio, mencionou a gravidade da crise com o alarmante aumento das contaminações e pediu celeridade na realização do plano. “A situação é dramática e nesse momento tem que acertar o diálogo da melhor forma possível. A gente também precisa definir esse calendário que é fundamental para dar certeza à sociedade de que a vacina vai chegar nas datas estabelecidas. E, enquanto isso, todos respeitarem os protocolos sanitários”.aemerj luiz antonio

Também integrante do GT, o ex-presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Nilson Diniz, elogiou o PNI, e mostrou preocupação em relação à eficácia da vacinação com as novas cepas do vírus. O representante do Ministério da Saúde garantiu que nenhuma das mutações encontradas no novo coronavírus teria impacto na vacina. Aroldi também questionou o Ministério da Saúde sobre o Projeto de Lei (PL) 534/2021, que permite a compra de vacinas por Estados, Municípios e setor privado, de forma suplementar, caso a União falhe na imunização. Segundo o Ministério, não há possibilidade de isso ocorrer. “Eu garanto que não há essa possibilidade, de haver falha no PNI”, disse, complementando com toda a estrutura e a logística que está por trás da atuação dos Entes em relação ao Plano no país e que é reconhecida no mundo.

Insumos
A representante da Opas chamou a atenção sobre a necessidade de buscar alternativas que possam suprir a insuficiência de insumos, como as seringas. “Infelizmente a produção de seringas é muito mais limitada do que a própria produção de vacinas”, alertou. Ela ainda esclareceu dúvidas sobre o consórcio Covax Facility, destacando que esse atua exclusivamente para facilitar a aquisição de vacinas e não dos demais insumos, e pediu atuação conjunta. “A união faz a força. Precisamos estar mais unidos. Estamos disponibilizando no nosso site informações muito simples e claras para os gestores e a população”.Nilson Aprece

O encontro também foi acompanhado pelas equipes técnicas das áreas Jurídica, Saúde e Assessoria Parlamentar da CNM.

Por: Allan Oliveira

Da Agência CNM de Notícias