Posição da AMA sobre novos municípios é destaque na Gazeta

A opinião do presidente da AMA, prefeito Hugo Wanderley, sobre a possibilidade do Estado ganhar dois novos municípios sugerindo cautela sobre o assunto, foi matéria de destaque no Jornal Gazeta de Alagoas. Em entrevista ao veículo, Wanderley disse que o maior problema das cidades já existentes passa pela dependência econômica de recursos federais. Afinado com o discurso da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), ele lembrou que o desafio passa por divisão justa dos repasses.”Sem uma reforma tributária justa o “bolo tributário” será o mesmo para o maior número de municípios. É um cobertor muito curto”, alerta Hugo Wanderley.

Leia a matéria na íntegra:

AL pode ganhar dois novos municípios

BENEDITO BENTES E LUZIÁPOLIS PODEM SE TORNAR CIDADES VIA PROJETO DE LEI
A criação de novos municípios, prevista no PLP 137/2015, que já se encontra na Câmara dos Deputados, tramitando em regime de urgência, também atrai o interesse de parlamentares alagoanos. Nem os índices sociais e econômicos que colocam o Estado como um dos mais pobres do Pais é empecilho. Na Assembleia Legislativa Estadual (ALE) tramitam pelo menos dois projetos.Em todo o Pais pelo menos 400 distritos e povoados podem se transformar em cidades, com o argumento de que não recebem a devida atenção das atuais sedes, ou que já possuem características próprias de cidades.De acordo com uma das regras previstas no projeto, deve haver estudos de viabilidade econômica, bem como plebiscitos na cidade que vai perder o distrito, e no distrito que será criado. Se houver rejeição, durante doze anos nenhuma nova consulta poderá ser realizada.

Na região Nordeste, o estado que mais criará municípios é o Maranhão, onde pelo menos 30 distritos buscam emancipação.

Entre outros critérios exigidos está a necessidade de a população do novo município e do que foi desmembrado ser de, pelo menos, 6 mil habitantes nas regiões Norte e Centro-Oeste; 12 mil habitantes no Nordeste; e 20 mil no Sul e no Sudeste.

Além disso, o projeto prevê que as assembleias legislativas deverão coordenar estudos que apontem a capacidade de arrecadação das futuras cidades. Também caberá ao Poder Legislativo, depois de devida consulta pública aos cidadãos, elaborar lei estabelecendo o nome e limites geográficos.

Na Assembleia Legislativa Estadual, na atual legislatura. pelo menos dois projetos foram apresentados. Um deles do deputado Dudu Hollanda (PSD) – propôs que o distrito de Luziápolis, em Campo Alegre. e o Benedito Bentes têm potenciais para se tornarem cidades.

A proposta, segundo Dudu, encontra-se parada, justamente por conta do projeto apresentado na Câmara dos Deputados. Segundo ele, a partir de sua respectiva aprovação é que serão definidas as regras e o caminho a ser seguido.

“De fato apresentei essa proposta, mas o projeto teve que parar sua tramitação. já que a decisão final virá de Brasília, do Congresso Nacional. Pelo que reunimos de informação, tanto Luziápolis, que está a 30 km de (àmpo Alegre, e o Benedito Bentes têm potenciais de cidade”, disse Dudu Hollanda.

Ele argumenta que, no caso do Benedito Bentes, bem como o complexo com os vários conjuntos criados, só é menor que a capital Maceió em termos populacionais.

“Basta ver que o Benedito se compara, por exemplo, a Arapiraca. Lá existem indústrias, bancos, microeconomia muito forte além de uma população superior a 200 mil habitantes. Por isso aguardamos com expectativa a tramitação do projeto em Brasília”, completou o parlamentar.

ECONOMIA C) deputado Inácio Loi-ola (PDT) lembra também que em sua região, na cidade de Piranhas, há o povoado do Piau, que por conta da distância da sede administrativa da cidade acaba influenciando a economia de outras sete cidades em seu entorno.

“O Piau é o termômetro da economia daquela região, pois tem uma importante feira livre, que atrai produtores de ovinos, caprinos, suínos e feijão. Tem uma localização geográfica privilegiada e uma popula- ção de aproximadamente 12 mil habitantes”, descreveu Inácio, apoiando a iniciativa do projeto que tramita em Brasília.

Entre as cidades que mantêm relações com o povoado ele citou: Pão de Açúcar, São José da Tapera, Senador Hui Palmeira, Inhapi e Olho D’Água do Casado.

Ainda na área urbana de Maceió, quem também já apresentou proposta semelhante foi o deputado Caiba Novaes (MDB). Oriundo de uma família que influenciou no desenvolvimento do Tabuleiro do Martins, ele apresentou no início do mandato proposta para a criação da “Cidade Planalto”.

Como argumento, lembrou que a região contribui com 113 da arrecadação de Maceió e recebe, em contrapartida, apenas 0,4% de investimentos.

Ainda em 2000, quando era vereador por Maceió, encaminhou proposta para a Procuradoria Geral do Estado (PGE), à época ocupada pelo atual ministro do Superior Tribunal de Justiça. Humberto Martins, que deu parecer favorável.

O presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), prefeito Hugo Wanderley, sugeriu cautela sobre o assunto. Isto porque o maior problema das cidades já existentes passa pela dependência económica de recursos federais.

Afinado com o discurso da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), ele lembrou que o desafio passa por divisão justa dos repasses.

“Sem uma reforma tributária justa o “bolo tributário” será o mesmo para o maior número de municípios. É um cobertor muito curto”, alerta Hugo Wanderley.

Aprovação de projeto de lei deve agravar crise

´Os municípios alagoanos estão caminhando para a beira do precipício´, motivados pelo subfinanciamento de programas federais, que obrigam as prefeituras a arcarem com despesas que não param de crescer, principalmente em áreas como a saúde e educação. Como resultado, os gestores municipais podem ser condenados por crimes de improbidade administrativa, caso deixem de pagar as contas e investirem os percentuais determinados pela Constituição. De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 70% das 5.568 localidades filiadas a entidade não conseguiram pagar as dívidas no ano passado. Em Alagoas, 16,7% dos municípios não conseguiram encerrar o ano com o salário dos servidores em dia.Para o presidente da AMAprefeito de CacimbinhasHugo Wanderley, a única saída para mudar o quadro atual é a realização de reforma por parte do governo federal, principalmente a tributária, como forma de corrigir as defasagens no repasse de recursos dos programas assumidos pelas prefeituras e que incluem áreas com repasses constitucionais. Segundo o gestor, na área da saúde, por exemplo, as prefeituras são obrigadas a investirem 15% do orçamento, mas, devido a criação de programas como o Samu e Programa Saúde da Família, já tem municípios em Alagoas que chegam a gastar 30%, o que deve conduzir as localidades ´para a beira do precipício´, caso não haja mudanças estruturais no País.´Existe projeto tramitando no Congresso Nacional com o objetivo de equilibrar as contas entre os entes federativos, mas a bancada do governo tem travado as tramitações. Agora com a lei do teto de gastos, implantado pelo governo do presidente Michel Temer, dificultou ainda mais a situação. Muito dificilmente, hoje, o prefeito escapa de uma ação de improbidade administrativa. Os custos só aumentam e as receitas diminuem, impedido o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)´, lamenta o presidente da AMA.

Para ele, por estarem na base, os prefeitos são cobrados pela população, que desconhece a real situação dos municípios e a raiz do problema criado pelo governo federal, que tem concentrado a maior parte dos recursos oriundos da arrecadação pelo País. ´A única saída é a reforma tributária, um novo pacto federativo para o Brasil entrar nos eixos´, adianta Hugo Wanderley.