Sem partilha justa, municípios do Agreste perderam R$ 93 milhões de royalties

Municípios do Agreste perderam R$ 93 milhões

Arapiraca e mais 14 municípios do Agreste já perderam R$ 93,6 milhões em arrecadação, por conta da suspensão da lei dos royalties do petróleo.O levantamento foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que tenta reverter uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), para garantir novamente o repasse referente à divisão dos recursos da produção de petróleo e derivados no País.

A Lei dos Royalties foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano de 2012. Ela mudou as regras para a divisão dos rendimentos com a exploração de petróleo e derivados, tornando a partilha mais igualitária entre produtores e não produtores.

Em março de 2013, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, suspendeu parte da nova lei, aceitando liminar pedida pelo estado do Rio de Janeiro.

Na ação, o estado alegou que a lei afronta várias regras da Constituição, como o direito adquirido, por alterar os contratos em vigor; a segurança jurídica e o ato jurídico perfeito, por interferir em receitas comprometidas e contratos assinados; e a responsabilidade fiscal, uma vez que os orçamentos ficarão comprometidos.

Na época, o então procurador e hoje ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que assinava a ação, alegou que o Rio de Janeiro perderia imediatamente mais de R$ 1,6 bilhão, ou R$ 27 bilhões até 2020 em arrecadação. Com isso, os municípios não produtores de petróleo e derivados deixaram de receber a verba.

O levantamento feito pela CNM não inclui a produção de petróleo de 2018. Em mais de cinco mil municípios brasileiras, a perda foi de R$ 19,8 bilhões apenas relativamente ao Fundo Especial do Petróleo (FEP).

Em Alagoas, por exemplo, o município de Arapiraca deixou de receber R$ 24.037.059,88. Palmeira dos Índios já perdeu R$ 8.626.193,13, enquanto Teotônio Vilela e Girau do Ponciano acumulam perdas da ordem de R$ 6,2 milhões e R$ 6 milhões, respectivamente.

Outras cidades da região também contabilizam prejuízos com a suspensão dos recursos. Por conta disso, a Confederação Nacional dos Municípios lançou uma campanha com a mobilização de prefeitos e organização de um abaixo-assinado para cobrar do Supremo Tribunal Federal o julgamento imediato da liminar que suspendeu a lei.

À época desse debate, a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) também fez a defesa de que os municípios também recebessem a partilha dos royalties, no entanto a discussão contou com um entrave jurídico graças às contestações do estado do Rio de Janeiro, principal atingido pela medida.